Wagner Lopes
Reduzir a governadora Mailza e a médica Jéssica Sales a rótulos é um retrocesso que envergonha o jornalismo
Jornalismo sério é diferente de excremento jornalístico
A crítica política é um dos pilares da democracia. Divergir de ideias, questionar decisões e confrontar projetos de governo faz parte do exercício legítimo do jornalismo. O que jamais pode ser confundido com liberdade de imprensa é a tentativa covarde de reduzir pessoas à sua religião, à sua orientação sexual ou a qualquer característica de sua vida privada.

Quando uma matéria jornalística que deveria informar e conscientizar abandona o campo das ideias para recorrer a rótulos depreciativos, ela passa a alimentar preconceitos incompatíveis com o jornalismo sério. O ataque contra duas mulheres, por si só é abominável e o texto infame não é jornalismo, mas excremento jornalístico com intuito de tentar interferir no processo eleitoral através de um debate burro e mais pervesamente, atrair holofotes e curtições nas redes sociais.
Ao tratar duas pré-candidatas ao Governo do Acre sob esse prisma, ignorando suas trajetórias públicas, suas qualificações e os serviços prestados à sociedade, o autor da publicação produziu um excremento de conteúdo que infecta o leitor e empobrece o debate democrático. Mailza Assis é a atual governadora do Estado, com uma história construída na vida pública, enquanto Jéssica Sales é médica e exerceu com destaque o mandato de deputada federal. Concordar ou discordar de suas posições é um direito de qualquer cidadão. O que não se pode admitir é que suas identidades sejam utilizadas como instrumento de desqualificação.
A fé professada por Mailza pertence ao âmbito da liberdade religiosa, um direito assegurado pela Constituição e que pertence somente a ela. Da mesma forma, a orientação sexual de Jéssica integra sua esfera de direitos e dignidade, não podendo servir como recurso traiçoeiro para diminuí-la perante a opinião pública. Quando esses aspectos são explorados de forma pejorativa e pior, com intuito maligno influenciar o processo eleitoral, o que se revela não é uma análise política consistente, mas a incapacidade de enfrentar o debate com argumentos baseados em propostas, resultados e competência. Em outras palavras: é covardia brutal.
A sociedade acreana merece um jornalismo que fiscalize o poder, questione governantes e cobre transparência, mas que jamais substitua a crítica responsável pela estigmatização de pessoas. O processo eleitoral deve ser marcado pelo confronto de ideias, pela avaliação de currículos e pela apresentação de projetos para o futuro do Acre. Qualquer tentativa de transformar religião ou orientação sexual em arma retórica representa um retrocesso civilizatório e uma afronta aos princípios mais elementares do respeito, da igualdade e da democracia.
Wagner Lopes é formado em Administração e tem pós-graduação em Administração Pública e Gestão de Pessoas, tem MBA em Empreendedorismo, Marketing e Finanças e atualmente, é pós-graduando em Jornalismo e em Marketing Digital




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