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Rio Branco,24/02/2026

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    Negacionismo contra vacinas faz sarampo voltar com força total nas Américas; doença mata


    Negacionismo contra vacinas faz sarampo voltar com força total nas Américas; doença mata

    A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciou que as Américas perderam o status de área livre de transmissão endêmica do sarampo. A confirmação ocorreu após o Canadá registrar circulação contínua do vírus por mais de 12 meses. O cenário acende um alerta para toda a região, incluindo o Brasil, que ainda mantém a certificação de eliminação obtida novamente em 2024.

    Situação do Brasil e primeiros surtos

    O país registrou 34 casos confirmados de sarampo entre janeiro e setembro de 2025, segundo o Ministério da Saúde. A maior concentração ocorreu no Tocantins, onde 25 infecções foram identificadas após um surto em Campos Lindos, iniciado por quatro brasileiros que retornaram da Bolívia contaminados. Casos também foram registrados em Mato Grosso, Rio de Janeiro, Maranhão, São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Desde então, novos episódios já foram identificados.

    No Rio de Janeiro, dois bebês menores de um ano, sem histórico vacinal, foram diagnosticados com a doença sem origem conhecida da infecção. De acordo com autoridades federais, casos esporádicos não representam retorno da transmissão endêmica, mas indicam vulnerabilidades entre pessoas não vacinadas.

    Por que o sarampo preocupa

    O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo. Transmitido por via respiratória, o vírus pode permanecer suspenso no ar por até duas horas, facilitando a disseminação mesmo após a saída da pessoa infectada. Especialistas explicam que, entre indivíduos não vacinados, a taxa de transmissão é extremamente alta.

    Os sintomas incluem febre, manchas avermelhadas, irritação nos olhos e conjuntivite. Em situações graves, pode evoluir para pneumonia, encefalite, cegueira e, em crianças, risco elevado de morte. Após a recuperação, o organismo ainda pode ficar mais vulnerável a outras infecções por um período prolongado.

    Queda na cobertura vacinal

    A OPAS alerta que a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral nas Américas alcançou 79% em 2024, abaixo dos 95% necessários para impedir surtos. No Brasil, a queda histórica das taxas de vacinação evidencia fragilidades acumuladas ao longo dos últimos anos.

    A primeira dose, que era aplicada em 96% das crianças em 2015, caiu para 80,7% em 2022. Houve recuperação parcial, com índices de 90,5% em 2023, 95,8% em 2024 e 91,5% em 2025. Já a segunda dose, considerada essencial para consolidar a imunidade, apresentou trajetória mais preocupante: de 79,9% em 2015, caiu para 57,6% em 2022 e subiu para 75,5% em 2025.

    Especialistas afirmam que a redução da cobertura vacinal é o principal fator de risco e que a imunização insuficiente permite o acúmulo de pessoas suscetíveis, facilitando a reintrodução do vírus.

    Avanço da desinformação

    A hesitação vacinal no Brasil tem sido influenciada por múltiplos fatores, incluindo desinformação digital e percepções equivocadas sobre segurança. Um estudo da Fundação Getulio Vargas, publicado em 2025, mostrou que o país concentra 40% de toda a desinformação antivacina da América Latina e do Caribe. A pesquisa identificou 1,47 milhão de mensagens falsas distribuídas em comunidades no Telegram entre 2019 e 2025, com alegações diversas que vão desde supostos danos neurológicos até teorias conspiratórias.

    Especialistas apontam ainda que a rotina agitada das famílias e o cansaço pós-pandemia contribuíram para o esquecimento das doses de reforço e o adiamento de vacinas essenciais.

    Como funciona a certificação de eliminação

    Para manter a certificação de eliminação do sarampo, um país precisa comprovar que não houve transmissão sustentada por pelo menos 12 meses e demonstrar vigilância ativa. Isso inclui investigação de casos suspeitos, coleta de amostras dentro do prazo e indicadores mínimos de qualidade laboratorial.

    Casos importados ou secundários não representam transmissão endêmica, desde que o vírus não circule livremente por longo período. É essa diferença que hoje separa a situação brasileira da canadense.

    Um retrocesso reversível

    Apesar da preocupação da OPAS, especialistas consideram que o cenário brasileiro ainda é controlável. O país possui experiência em contenção rápida da doença e mantém equipes treinadas para vigilância e bloqueios vacinais. O desafio central é elevar a cobertura da segunda dose e manter a busca ativa por casos suspeitos.






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