Enquanto Rio Branco alaga e moradores sofrem enxurradas, Bocalom é criticado por postura alheia ao sofrimento da população
As fortes chuvas que atingiram Rio Branco na noite de domingo (11) e na manhã de segunda-feira (12) voltaram a expor um problema crônico da capital acreana: a fragilidade da infraestrutura urbana diante das enxurradas. Vários pontos da cidade ficaram alagados, com destaque para a região da Baixada da Sobral, especialmente o bairro Plácido de Castro, onde a água invadiu residências, destruiu móveis e gerou revolta entre os moradores.
Em meio à calamidade, o prefeito Tião Bocalom (PL) passou a ser duramente criticado pela população e nas redes sociais, não apenas pela ausência de ações emergenciais efetivas, mas pela forma como reage publicamente a situações de crise. Mais uma vez, enquanto famílias enfrentavam prejuízos e o medo dentro de suas próprias casas, o gestor optou por publicar fotos em tom romântico e meloso ao lado da esposa, em total contraste com a gravidade do cenário vivido pela cidade. A postura de Bocalom atraiu críticas da ex-deputada federal Perpétua Almeida.

Moradores da Baixada da Sobral relatam abandono e descaso. Segundo eles, os alagamentos são recorrentes e a Prefeitura, por meio da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb), não apresenta soluções estruturais duradouras. “Todo ano é a mesma coisa. A água entra, a gente perde tudo e ninguém aparece. Só vemos o prefeito em foto bonita na internet”, desabafou uma moradora do bairro Plácido de Castro.

Morador mostra rua alagada na Baixada e cobra ação de Bocalom/foto: redes sociais
A indignação cresce porque, para muitos, a postura do prefeito transmite a sensação de desconexão com a realidade da população mais vulnerável. Em vez de comunicar ações, visitar áreas atingidas ou anunciar medidas concretas de enfrentamento às enchentes, Bocalom mantém uma comunicação pública que ignora o sofrimento coletivo em momentos críticos.

Internautas criam meme de Bocalom se beijando dentro de rua alagada na Baixada
Especialistas em gestão pública e comunicação institucional destacam que, em situações de calamidade, espera-se do chefe do Executivo empatia, presença e liderança. A exposição excessiva da vida pessoal, especialmente em contextos de crise, tende a ser interpretada como insensibilidade e falta de prioridade administrativa.
A Prefeitura de Rio Branco ainda não apresentou um plano claro e eficaz para conter os alagamentos recorrentes na Baixada da Sobral, uma das regiões mais populosas e historicamente afetadas pelas chuvas. Enquanto isso, a população segue cobrando não apenas obras e ações emergenciais, mas respeito e compromisso de quem foi eleito para governar a cidade.
Para os moradores, a mensagem é clara: romantizar a própria imagem enquanto o povo enfrenta lama, perdas e insegurança não resolve o problema — apenas aprofunda a sensação de abandono.



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