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Rio Branco,02/07/2026

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Liderança que transforma: as lições de Marta Renata e Cármen Lúcia para um serviço público mais humano e mais forte


Liderança que transforma: as lições de Marta Renata e Cármen Lúcia para um serviço público mais humano e mais forte

POR TADEU BRAGA

Há palestras que informam. Outras inspiram. E há aquelas que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo, levando quem as acompanha a refletir sobre o tipo de liderança que exerce e o legado que deseja deixar.

Em maio deste ano, durante o XV Congresso Consad de Gestão Pública, em Fortaleza, tive o privilégio de acompanhar uma conferência da ministra Cármen Lúcia sobre igualdade de gênero e a crescente presença feminina nos espaços de liderança da administração pública. Um mês depois, em Rio Branco, reencontrei esse mesmo tema na palestra promovida pela Secretaria de Estado de Governo do Acre (Segov-AC), agora enriquecido pela experiência da coronel da Polícia Militar, Marta Renata e, novamente, pelas reflexões da ministra do Supremo Tribunal Federal. Assistir a esses dois momentos, em contextos distintos, permitiu compreender que a discussão sobre liderança feminina não é uma pauta circunstancial, mas uma transformação em curso nas instituições brasileiras.


Coronel Marta Renata / foto: rede sociais 

Foi esse o sentimento que marcou a palestra promovida pela Segov. Iniciada pela coronel Marta Renata e encerrada pela ministra Cármen Lúcia, a programação reuniu duas mulheres de trajetórias diferentes, mas unidas por uma mesma convicção: a liderança nasce do compromisso com as pessoas, da coragem para enfrentar desafios e da responsabilidade de construir instituições mais fortes, éticas e humanas.

Liderar é fazer pessoas avançarem

A coronel Marta Renata abriu sua exposição apresentando um conceito que sintetiza a essência da liderança:

“A liderança não é o lugar onde chegamos. É a quantidade de pessoas que conseguimos fazer avançar conosco.”

A frase rompe com uma visão tradicional que associa liderança apenas ao cargo ou à autoridade. Para ela, o verdadeiro líder é aquele que forma sucessores, desenvolve equipes e multiplica capacidades.

Sua fala destacou aspectos fundamentais da liderança pública:

. Liderança baseada no exemplo, e não apenas na hierarquia;

. Desenvolvimento permanente das equipes;

. Valorização das pessoas como o maior patrimônio das instituições;

. Disciplina aliada à sensibilidade humana;

 .Compromisso com resultados sem abrir mão da ética.

Vinda da experiência militar, sua abordagem demonstrou que firmeza e humanidade não são características incompatíveis. Ao contrário: organizações sólidas são construídas quando a autoridade caminha ao lado do respeito, da confiança e da capacidade de inspirar.

Sua apresentação reforçou ainda que liderar exige preparação contínua, inteligência emocional e disposição permanente para servir antes de comandar.

Mulheres que abriram caminhos

Ao término da primeira palestra, já era evidente um tema que atravessaria toda a programação: o espaço conquistado pelas mulheres em ambientes historicamente ocupados por homens.

Não por concessão.

Mas pela competência.

Essa reflexão serviu como uma ponte natural para a participação da ministra Cármen Lúcia.

Cármen Lúcia: igualdade não é favor, é democracia

Participando por videoconferência, a ministra trouxe uma reflexão profunda sobre igualdade de gênero, cidadania e democracia.

Sua exposição percorreu a história da participação feminina no Brasil e lembrou que muitos dos direitos hoje considerados naturais são fruto de longas décadas de luta e persistência.


Ministra Carmem Lúcia participando da palestra / foto: redes sociais 

Mais do que apresentar um panorama histórico, fez um chamado à responsabilidade coletiva.

Segundo a ministra, a igualdade entre homens e mulheres não beneficia apenas um grupo específico; fortalece toda a sociedade e aperfeiçoa a própria democracia

Entre os principais pontos abordados estiveram:

. A ampliação da participação feminina nos espaços de decisão;

. O enfrentamento permanente da violência contra a mulher;

. O combate às desigualdades estruturais;

. A educação como instrumento de transformação social;

. O fortalecimento das instituições democráticas.

Uma de suas mensagens mais marcantes foi lembrar que nenhuma conquista é definitiva.

Direitos precisam ser protegidos diariamente.

A democracia exige vigilância permanente.

E a igualdade depende do compromisso contínuo de toda a sociedade.

Ao tratar da violência contra a mulher, fez uma reflexão que permanece atual: enquanto uma mulher sofre violência, toda a sociedade é atingida, porque a dignidade humana é indivisível.

Dois estilos, uma mesma essência

Embora pertençam a universos distintos, uma formada na segurança pública e outra na magistratura, Marta Renata e Cármen Lúcia demonstraram que a liderança possui fundamentos universais.

Ambas defenderam:

. Ética;

. Responsabilidade;

. Competência técnica;

. Compromisso com o interesse público;

. Desenvolvimento das pessoas;

. Coragem para enfrentar desafios.

A primeira apresentou a liderança construída na prática cotidiana das organizações.

A segunda mostrou a liderança institucional que protege direitos, fortalece a democracia e inspira gerações.

No fim, ambas chegaram à mesma conclusão: liderar é servir.

Uma reflexão para o Acre

Para quem atua na gestão pública, a mensagem deixada pela Segov ultrapassa o conteúdo de uma palestra.

Ela convida servidores, gestores e líderes políticos a refletirem sobre o modelo de administração pública que desejam construir.

Governar não significa apenas administrar recursos.

É desenvolver pessoas.

É fortalecer instituições.

É criar oportunidades para que outros cresçam.

A frase apresentada por Marta Renata talvez sintetize todo o espírito do encontro:

“A liderança não é o lugar onde chegamos. É a quantidade de pessoas que conseguimos fazer avançar conosco.”

A ministra Cármen Lúcia complementou essa visão ao lembrar que uma democracia forte somente existe quando ninguém é deixado para trás e quando homens e mulheres podem contribuir, em igualdade de condições, para a construção do bem comum.

Ao reunir duas mulheres com histórias tão distintas, mas unidas pelos mesmos valores de serviço, responsabilidade e compromisso público, a Segov promoveu muito mais do que uma palestra. Promoveu uma reflexão sobre o tipo de liderança que o Brasil precisa cultivar: uma liderança que forma pessoas, fortalece instituições e compreende que o verdadeiro poder não está em ocupar posições de destaque, mas em transformar vidas e abrir caminhos para que outros também possam avançar.




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