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Rio Branco,25/07/2026

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A verdade sobre os 20 anos do PT no Acre que nenhum lado gosta de contar


A verdade sobre os 20 anos do PT no Acre que nenhum lado gosta de contar

Se o lendário jornalista Elson Martins, criador do célebre jornal O Varadouro, parasse na curva da Gameleira para olhar as águas do Rio Acre e tomar um café no Mercado Velho, ele diria com a propriedade de quem cobriu cada palmo desta terra: “O Acre é um lugar singular. Foi o único canto onde a seringueira virou revolução, a causa virou governo e, no fim, o povo ainda se viu precisando chamar o mesmo engenheiro para colocar os trilhos no lugar.”

Para entender o ciclo de vinte anos do PT no comando do estado (1999–2018), é preciso voltar a fita. A ideia de transformar o desenvolvimento da região não nasceu por acaso em reuniões partidárias. Essa semente foi plantada lá no final dos anos 1980, ainda no governo de Flaviano Melo (1987–1990).


Velho Lobo Flaviano Melo governou o Acre de 1987 a 1990. É considerado um dos maiores políticos da história do Acre

Foi naquela época que um jovem engenheiro florestal chamado Jorge Viana foi trabalhar na Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (FUNTAC). Ali no laboratório da FUNTAC, Jorge começou a desenhar algo totalmente novo: usar ciência para manejar a madeira, valorizar a floresta em pé e provar que era possível produzir sem destruir. Nascia ali o verdadeiro embrião do que mais tarde seria batizado de "Governo da Floresta". Na ocasião, Gilberto Siqueira era o presidente. 

Flaviano Melo, o jovem Jorge Viana e outros servidores da Funtac

Depois da gestão de Flaviano, o Acre encarou tempos difíceis. Passou pelo choque do assassinato de Edmundo Pinto, pela fase conturbada de Romildo Magalhães e pelo estilo empresarial de Orleir Cameli. O estado amargava uma crise profunda: salários atrasados, autoestima no chão, crime organizado ganhando espaço e a população sem orgulho da própria terra.

Foi nesse cenário de terra arrasada que veio a grande virada política de 1998. Mas a história exige uma separação muito clara: uma coisa foram os oito anos de Jorge Viana no Palácio Rio Branco; outra, completamente diferente, foram os doze anos que vieram depois.

O Momento de Virada: A Era Jorge Viana (1999–2006)


Jorge Viana é considerado um dos melhores governadores do Acre e administrou o estado de 1999 a 2006. Sua gestão se destacou pelo grande volume de obras em todo o Estado, pela capacidade técnica e organização administrativa

Entre 1999 e 2006, o governo de Jorge Viana ficou marcado por um amplo processo de modernização do Acre. Sua gestão promoveu a recuperação da capacidade administrativa do Estado, reorganizou as finanças públicas, fortaleceu o planejamento governamental e implementou um modelo de gestão voltado para resultados. Esse período também consolidou a imagem do Acre como referência nacional em políticas de desenvolvimento sustentável, conciliando preservação ambiental com geração de renda. 

Na área da infraestrutura, Jorge Viana deixou um legado de obras estruturantes que mudaram a realidade do estado. Entre elas, destacam-se a pavimentação e integração da BR-364 em trechos estratégicos, a construção e recuperação de rodovias estaduais, a revitalização do centro histórico de Rio Branco, a modernização de espaços públicos, investimentos em saneamento, energia e urbanização, além da expansão da infraestrutura para fortalecer a integração entre os municípios. 

Outro destaque foi o investimento em educação, saúde, produção rural e valorização da identidade acreana. O governo ampliou a rede de escolas, fortaleceu a formação de professores, expandiu os serviços de saúde, apoiou a agricultura familiar, incentivou o manejo florestal sustentável e desenvolveu políticas voltadas aos povos indígenas e às comunidades tradicionais. Seu legado é frequentemente associado à ética administrativa, ao planejamento de longo prazo, à capacidade de articulação política, à inovação na gestão pública e à construção das bases do projeto que governou o Acre por duas décadas.  

O Governo Binho Marques (2007–2010): continuidade das conquistas de Jorge Viana 

Entre 2007 e 2010, o governo de Binho Marques deu continuidade ao projeto iniciado por Jorge Viana, tendo como principal marca os investimentos em educação. Nesse período, o Acre consolidou avanços nos indicadores educacionais, ampliou a construção e reforma de escolas, valorizou os profissionais da educação e fortaleceu o ensino profissionalizante por meio do Instituto Dom Moacyr. A gestão também expandiu programas de qualificação, com milhares de jovens capacitados para o mercado de trabalho, além de ampliar o acesso à educação em comunidades do interior. 

Na área da infraestrutura e do desenvolvimento, o governo priorizou investimentos em estradas, obras públicas e programas voltados ao desenvolvimento sustentável. Houve fortalecimento da produção rural, incentivo à economia de base florestal, ampliação do apoio à agricultura familiar e implantação do ProAcre, programa que integrou ações de infraestrutura, inclusão social, saúde e produção. A gestão também incentivou a expansão da internet pública por meio do programa Floresta Digital e buscou atrair investimentos privados para diversificar a economia acreana. 


Binho Marques governou o Acre de 2007 a 2010

Na saúde, segurança e gestão pública, o governo trabalhou na organização das redes de atendimento, fortaleceu hospitais regionais e ampliou serviços para municípios do interior. Na segurança pública, investiu na integração das polícias, modernização de equipamentos, melhoria da infraestrutura das delegacias e presídios e aumento das ações de inteligência. Ao encerrar o mandato, Binho Marques registrava elevados índices de aprovação popular, com destaque para o reconhecimento da população aos avanços obtidos principalmente na educação, infraestrutura e qualidade da gestão pública. 


O Desgaste do Modelo: Os Anos de Tião Viana (2011–2018)

O esgotamento do ciclo petista ficou evidente nos dois mandatos de Tião Viana. Se Jorge e Binho tinha aberto os caminhos do desenvolvimento com uma equipe coesa e pragmática, a fase final do ciclo sofreu com um contraste visível no escalão governamental. O time de secretários dessa etapa não demonstrava o mesmo peso técnico nem a capacidade de articulação dos governos anteriores. Tião, governador eleito, escolheu seu próprio secretariado, entre eles, Gemil Júnior, que foi seu secretário de Saúde.


Tião Viana governou o Acre de 2011 a 2018 e foi o governador que encerrou o ciclo do PT no Acre 

Em vez de focar na entrega de resultados, a gestão ficou marcada por um ambiente de excesso de bajulação, onde assessores e secretários buscavam agradar ao governante a ponto de episódios caricatos virarem notícia — como o caso de auxiliares do primeiro escalão que chegaram a fazer vasectomia para se alinhar publicamente às bandeiras do governo. O controle sobre a comunicação chegou ao extremo com a publicação do polêmico Manual de Orientação para Uso Institucional das Redes Sociais pelas Assessorias de Governo, uma cartilha que tentava enquadrar o funcionalismo e policiar a narrativa oficial para blindar a gestão, isolando-a ainda mais da realidade das ruas.

Para além do clima de culto interno, o governo enfrentou duras críticas por medidas desconectadas das reais necessidades da população. No auge da crise de segurança pública e do avanço das facções criminosas, a distribuição de apitos para a comunidade como estratégia de combate à violência virou símbolo da fragilidade do estado diante do crime organizado.

A ideia da "Florestania" perdeu força diante de um estado que cobrava empregos reais e apoio concreto a quem produz. Projetos industriais financiados pelo poder público não deram o retorno esperado — como a Peixes da Amazônia, que virou símbolo de investimento sem resultado.

Para agravar o quadro, o estado foi atingido por severos choques externos:

Crise Financeira Nacional: A retração econômica do país reduziu repasses federais essenciais e estrangulou a arrecadação estadual.

A Crise Humanitária dos Haitianos: O Acre tornou-se a principal porta de entrada da migração haitiana no Brasil a partir de 2010, sobrecarregando a infraestrutura de assistência social, saúde e logística do estado sem a contrapartida federal necessária no tempo devido.

Diferente da postura aberta de Jorge Viana, a gestão fechou-se em si mesma. O resultado veio nas urnas em 2018, quando a população decidiu encerrar aquele ciclo.

A onda favorável e a busca pela união

A poeira dos anos baixou e deixou algo muito evidente: a trajetória de Jorge Viana sempre esteve acima de disputas partidárias. O carinho que ele recebe nas ruas vem da memória do prefeito e do governador que mudaram a cara de Rio Branco e trouxeram dignidade ao estado. Sua atuação marcante no Senado e, mais recentemente, na presidência da ApexBrasil, mostrou sua força política para abrir portas e atrair investimentos para a região.


Jorge Viana foi presidente da Apex Brasil e ajudou a dar visibilidade ao Acre no exterior 

O momento atual mostra uma grande convergência no estado. A população percebe que, em um cenário de incertezas, Jorge é a liderança com trânsito livre em Brasília e prestígio no mercado para trazer recursos de verdade para o Acre. Das comunidades rurais aos centros urbanos, diferentes setores enxergam nele a figura mais experiente e preparada para liderar e organizar a gestão.


Jorge visita Leonardo Melo, filho do Velho Lobo Flaviano Melo

Assim como Flaviano Melo fez lá atrás — abrindo caminhos, construindo pontes e colocando os interesses do Acre acima de qualquer divergência —, Jorge Viana demonstra essa mesma disposição para dialogar. O gesto recente do seu encontro com Leonardo Melo, filho do ex-governador Flaviano Melo, é um exemplo claro de que ele sabe conversar com todas as correntes e colocar o futuro do estado em primeiro lugar. Jorge e Flaviano foram os construtores das escola política do Acre, cada um em seu ambiente. Ambos foram, em épocas distintas, prefeito de Rio Branco e governador do Acre. 


Foto: Arquivo

Da mesma forma que Flaviano confiou no trabalho do jovem engenheiro nos anos 80, Jorge estende a mão para dialogar com novas e antigas lideranças. Ele se firma como o nome capaz de somar forças, superar velhas rivalidades e trabalhar por um Acre mais forte e próspero para todos.

Por outro lado, seu principal adversário no pleito, Márcio Bittar, caminha em uma direção oposta. Bittar não carrega o mesmo respaldo nem um legado de realizações concretas para apresentar ao eleitorado, dependendo quase exclusivamente da polarização ideológica. Além disso, sua trajetória recente é marcada por rombos no próprio grupo político, atritos constantes e desentendimentos públicos com antigos aliados. Enquanto Jorge se consolida pelo perfil de construtor de pontes e gestor testado, Bittar acumula desgastes e divisões, mostrando que a busca por um projeto sólido de desenvolvimento para o Acre exige maturidade, articulação e resultados — virtudes que sobram na trajetória do engenheiro e faltam ao seu oponente.




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