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Rio Branco,02/07/2026

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Cármen, Michele e Mailza: três mulheres, uma mesma lição sobre liderança


Cármen, Michele e Mailza: três mulheres, uma mesma lição sobre liderança

POR TADEU BRAGA 

O Brasil está assistindo, cada vez mais, a mulheres ocuparem espaços que durante décadas foram considerados predominantemente masculinos. Não porque receberam privilégios, mas porque conquistaram, pela competência e pela coragem, o direito de liderar.


Michelle Bolsonaro, Carmem Lúcia e Mailza Assis: foto com contribuição da IA

Essa foi a principal reflexão provocada pela ministra Cármen Lúcia durante a palestra realizada por videoconferência, promovida pelo Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Governo (Segov). Ao defender uma democracia com maior participação feminina, a ministra lembrou que igualdade não é um discurso; é uma construção diária, feita de oportunidades, respeito e reconhecimento.

Sua fala ultrapassa o ambiente jurídico e alcança a política, a administração pública e toda a sociedade.

Curiosamente, nos últimos dias, três mulheres, em cenários completamente distintos, ajudaram a ilustrar essa realidade.

Cármen Lúcia representa a força das instituições. Sua trajetória demonstra que firmeza e sensibilidade não são características opostas. Pelo contrário, podem caminhar juntas quando o compromisso é com a Constituição, com a democracia e com a justiça.

Michelle Bolsonaro, por sua vez, voltou ao centro do debate político ao manifestar publicamente uma posição firme em meio a divergências dentro do próprio campo político ao qual pertence. Independentemente das opiniões sobre o episódio, sua postura evidenciou autonomia e disposição para sustentar suas convicções em um ambiente tradicionalmente marcado por lideranças masculinas.

No Acre, a governadora Mailza Assis enfrenta um desafio diferente. Liderar um Estado exige muito mais do que administrar políticas públicas. Exige equilíbrio, capacidade de ouvir, firmeza para decidir e serenidade para enfrentar as pressões que naturalmente acompanham quem ocupa o principal cargo do Poder Executivo.

São três trajetórias distintas.

Uma ministra do Supremo Tribunal Federal.

Uma das principais lideranças políticas da direita brasileira.

Uma governadora da Amazônia.

Não pertencem às mesmas instituições. Não necessariamente compartilham as mesmas ideias. Não exercem o poder da mesma maneira.

Mas existe algo que as aproxima.

Nenhuma delas aceitou que sua condição de mulher fosse um limite para ocupar espaços de influência e decisão.

Talvez seja exatamente essa a principal mensagem deixada por Cármen Lúcia durante sua palestra.

A democracia amadurece quando deixa de enxergar a liderança feminina como exceção.

Mulheres não precisam liderar como homens para provar competência. Também não precisam abrir mão da firmeza para demonstrar sensibilidade, nem da sensibilidade para exercer autoridade.

Cada uma constrói seu próprio estilo de liderança.

É justamente essa diversidade que fortalece a vida pública.

O Brasil ainda convive com desigualdades profundas. Mulheres continuam enfrentando violência, discriminação e obstáculos para alcançar posições de comando. Mas também é verdade que elas ocupam, hoje, lugares que antes lhes eram negados, influenciando decisões que moldam o presente e o futuro do país.

A palestra promovida pela Segov não tratou apenas da participação das mulheres. Tratou da qualidade da nossa democracia.

E talvez essa seja a maior lição.

Quando mulheres ocupam espaços de decisão, não é apenas a representação feminina que cresce.

Cresce também a capacidade da democracia de refletir a diversidade, a competência e a pluralidade da sociedade brasileira.

Porque uma democracia forte não se mede apenas pelo direito de votar.

Mede-se também por quem tem a oportunidade de liderar.




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