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Rio Branco,03/07/2026

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Treinar o cérebro funciona? Neurologista explica o que realmente ajuda a manter a mente saudável


Treinar o cérebro funciona? Neurologista explica o que realmente ajuda a manter a mente saudável

Muito além dos jogos de memória, desafios cognitivos, atividade física, sono de qualidade e aprendizado contínuo são apontados como aliados da saúde cerebral e da prevenção do declínio cognitivo

Jogos de memória, aplicativos de raciocínio lógico, palavras-cruzadas e desafios matemáticos costumam ser apontados como formas de "treinar o cérebro". Mas será que essas atividades realmente ajudam a melhorar a capacidade cognitiva? A resposta é sim, mas com algumas ressalvas.

Segundo o neurologista e docente da Afya Cruzeiro do Sul, Pedro Souza, o conceito de treinamento cerebral existe e possui fundamentação científica, mas muitas vezes é interpretado de forma equivocada. "Treinar o cérebro não é um mito. Na prática, significa estimular processos cognitivos complexos que permitem selecionar, filtrar e organizar informações. O cérebro tem a capacidade de se adaptar aos estímulos recebidos, fenômeno conhecido como neuroplasticidade", explica.

No entanto, o especialista alerta que existe uma diferença entre melhorar o desempenho em uma atividade específica e desenvolver habilidades cognitivas mais amplas. "Uma pessoa pode se tornar excelente em determinado jogo de memória ou aplicativo, mas isso não significa necessariamente que haverá melhora significativa em outras funções do dia a dia, como tomada de decisões, resolução de problemas ou raciocínio lógico. Esse é um dos principais desafios do chamado treinamento cerebral", afirma.

Atenção e funções executivas são fundamentais

De acordo com Pedro Souza, as atividades que mais estimulam o cérebro são aquelas que exigem esforço mental e recrutam diferentes tipos de atenção.

Entre elas estão tarefas que exigem concentração em ambientes com distrações, aprendizado de novos idiomas, prática de instrumentos musicais, planejamento de atividades complexas e exercícios que desafiam a memória de trabalho. "Quando aprendemos algo novo, precisamos alternar focos de atenção, criar estratégias, tomar decisões e armazenar informações temporariamente. Esses processos ativam diversas áreas cerebrais e contribuem para a manutenção das funções cognitivas", destaca.

Os populares aplicativos de treinamento cerebral podem trazer benefícios, principalmente relacionados à velocidade de processamento e à atenção em tarefas digitais. Porém, segundo o neurologista, o cérebro tende a se adaptar rapidamente aos estímulos repetitivos. "Existe um fenômeno chamado habituação. Quando repetimos muitas vezes a mesma tarefa, ela deixa de representar um desafio para o cérebro. Por isso, para que haja estímulo contínuo, é importante buscar atividades novas ou aumentar gradualmente o nível de dificuldade", explica.

Sono, exercício e alimentação têm impacto maior

Embora os exercícios cognitivos possam contribuir para a saúde cerebral, Pedro Souza destaca que fatores relacionados ao estilo de vida têm impacto ainda mais significativo no funcionamento do cérebro. "O cérebro depende de uma base sólida para funcionar bem. Sono adequado, atividade física regular, alimentação equilibrada e saúde emocional são fatores fundamentais para a atenção, a memória e o aprendizado", afirma.

Segundo o especialista, o sono é essencial para a consolidação das memórias e para a recuperação dos mecanismos de atenção. Já a atividade física melhora a oxigenação cerebral e estimula a produção de substâncias relacionadas à neuroplasticidade.

A alimentação também desempenha papel importante ao fornecer energia e nutrientes necessários para o funcionamento adequado do sistema nervoso. Além disso, fatores emocionais, como motivação, ansiedade e estresse, influenciam diretamente a capacidade de concentração.

O segredo está nos novos desafios

Para quem deseja manter o cérebro ativo ao longo da vida, a recomendação é simples: buscar constantemente novas experiências e estimular diferentes habilidades. "A melhor forma de treinar o cérebro é sair da zona de conforto intelectual. Aprender algo novo, desenvolver habilidades diferentes, ler, estudar, praticar exercícios físicos e cuidar da qualidade do sono são estratégias que trabalham juntas para preservar a saúde cerebral. O cérebro gosta de desafios, mas também precisa de combustível adequado para responder a eles", conclui Pedro Souza.




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