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Rio Branco,20/09/2026

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Jorge Viana, 67 anos: uma trajetória que atravessa a história recente do Acre


Jorge Viana, 67 anos: uma trajetória que atravessa a história recente do Acre

Neste 20 de setembro, Jorge Viana completa 67 anos. Para contar sua história, é praticamente inevitável contar também uma parte importante da história política do Acre nas últimas três décadas.

Nascido em Rio Branco, em 20 de setembro de 1959, engenheiro florestal formado pela Universidade de Brasília, Jorge entrou na política eleitoral no começo dos anos 1990. Foi candidato ao governo em 1990, prefeito de Rio Branco entre 1993 e 1996, governador do Acre por dois mandatos, de 1999 a 2006, senador entre 2011 e 2019 e, mais recentemente, presidente da ApexBrasil, entre 2023 e 2026.

Mas os cargos, sozinhos, dizem pouco sobre o tamanho de sua presença na política acreana.

Jorge surgiu num Acre que buscava sair de um período marcado por graves crises políticas, sociais e institucionais. Sua geração política se organizou em torno da Frente Popular do Acre, construída inicialmente por partidos de esquerda, mas que, ao longo do tempo, tornou-se uma aliança muito mais ampla. Na eleição de 1998, por exemplo, a coalizão de Jorge reunia dez partidos e chegava até ao PSDB, adversário nacional do PT.

Foto: Google 

Foi prefeito, chegou ao governo e, a partir de 1999, passou a comandar um projeto que marcou profundamente o Estado. Seu período no Palácio Rio Branco ficou associado à reorganização administrativa, à recuperação das finanças públicas, às obras de infraestrutura, à valorização da identidade acreana e à tentativa de combinar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.


Jorge realizou uma verdadeira "revolução de obras" no Acre / foto: Google

Houve também reconhecimento externo. Seu perfil oficial no Senado registra, entre outras distinções, prêmio de gestão pública da Fundação Getulio Vargas e Fundação Ford, o reconhecimento de “Líder para o Novo Milênio”, ligado à atuação ambiental, e o prêmio Gift to the Earth, concedido pela WWF.


E talvez poucos números expressem tão bem a força política daquele período quanto a avaliação com que Jorge encerrou sua passagem pelo governo. Estudo acadêmico disponível no repositório da Fundação Getulio Vargas registra que ele terminou o mandato, em 2006, com 83% de aprovação, apontada como a maior taxa entre os governadores do país naquele momento. Anos depois, em levantamento da Real Time Big Data divulgado em 2021, 39% dos entrevistados apontaram Jorge como o melhor governador do Acre dos 30 anos anteriores.


Isso ajuda a explicar por que Jorge Viana nunca coube inteiramente dentro da bolha tradicional de seu partido.

Ao longo de sua trajetória, Jorge construiu a imagem de um homem democrático, aberto ao diálogo e à convivência com diferentes correntes de pensamento. Em seus governos, buscou formar equipes com quadros técnicos e estabelecer relações com pessoas de diferentes posições políticas. Sua forma de fazer política procurou ultrapassar as fronteiras partidárias, colocando no centro do debate aquilo que considerava melhor para o Acre.


Essa característica também apareceu na montagem de governos. O próprio Jorge tem defendido, na campanha de 2026, que priorizou critérios técnicos para a administração e que não tratava secretarias simplesmente como espaços destinados à acomodação parlamentar.

Essa talvez seja uma das marcas mais importantes de sua passagem pelo poder: a tentativa de colocar o projeto de Estado acima das divisões ideológicas mais imediatas. Em março deste ano, ao anunciar sua candidatura ao Senado, voltou a dizer que pretende discutir um projeto para a sociedade acreana sem transformar a eleição numa guerra permanente entre esquerda e direita.

No Senado, entre 2011 e 2019, sua atuação ganhou dimensão nacional. Foi relator do novo Código Florestal, trabalhou na legislação de acesso à biodiversidade e no marco de ciência, tecnologia e inovação, presidiu comissões e ocupou a Vice-Presidência do Senado. Seu perfil institucional registra ainda uma extensa atuação em temas ambientais e internacionais.

Agora, aos 67 anos, Jorge Viana vive outro capítulo de sua história.

Ele voltou à disputa pelo Senado justamente num Acre politicamente muito diferente daquele que governou. O Estado tornou-se fortemente identificado com a direita e com o bolsonarismo. E seu principal adversário na disputa por uma das vagas é Márcio Bittar, candidato do PL e um dos representantes desse campo político no Acre.

Só que a eleição acreana tem mostrado uma característica interessante: as fronteiras entre o voto presidencial e o voto para o Senado não são absolutas.

Pesquisas recentes mostram que Jorge permanece competitivo na disputa pelo Senado e alcança um espaço eleitoral que ultrapassa a base tradicional de seu partido. Isso não significa que todo eleitor conservador esteja migrando para sua candidatura, mas indica a existência de voto cruzado e de eleitores que separam suas escolhas para presidente, governador e senador.

É nesse cenário que Jorge chega aos 67 anos: tentando novamente furar a bolha partidária que tantas vezes atravessou durante sua carreira.

Há eleitores que o acompanham há décadas. Há outros sem identificação partidária que guardam a memória de suas administrações. E há também eleitores conservadores e bolsonaristas que podem fazer escolhas diferentes para o Senado, fenômeno que ajuda a explicar por que a disputa entre Jorge Viana e Márcio Bittar ganhou tanta importância nesta reta final.

Jorge Viana e Márcio Bittar representam trajetórias e projetos políticos distintos, e essa diferença estará submetida à decisão dos acreanos nas urnas. Mas uma coisa os 67 anos de Jorge permitem registrar objetivamente: poucas figuras públicas atravessaram tantos capítulos da história recente do Acre ocupando posições de tamanha relevância.

De prefeito de Rio Branco a governador por dois mandatos; de senador da República a dirigente da ApexBrasil; das alianças amplas dos anos 1990 à tentativa atual de dialogar com um eleitorado acreano muito mais conservador, Jorge Viana chega aos 67 anos ainda no centro do debate político de seu Estado.

Depois de mais de três décadas de vida pública, sua história continua sendo discutida, contestada, lembrada e comparada. E, em 2026, caberá novamente ao eleitor acreano decidir qual será o próximo.




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