Ao retratar mulher como palhaça, campanha de Alan Rick desrespeita eleitoras
Propaganda usa mulher criada por inteligência artificial, com nariz vermelho e controle remoto na mão, ao lado da expressão “Parece piada”
A campanha de Alan Rick recorreu à imagem de uma mulher com nariz de palhaço para compor um ataque a Mailza. Sentada no sofá, com um controle remoto na mão, a personagem aparece acompanhada da expressão “Parece piada”. A escolha dá um caráter desrespeitoso à abordagem: a campanha coloca na figura da espectadora o símbolo usado para ridicularizar o que ela acompanha na televisão.

Na sequência descrita, a mulher assiste ao programa eleitoral de Mailza. Ao representá-la como palhaça, a propaganda abre espaço para uma crítica direta ao tratamento dispensado às eleitoras que ouvem as propostas da adversária. A liberdade de acompanhar outra candidatura não deveria servir de motivo para constrangimento ou deboche.
O recurso visual foi deliberadamente produzido para a peça. A própria propaganda informa, em uma inscrição na lateral, que a imagem foi gerada por inteligência artificial. A cena traz ainda o slogan da campanha e a identificação da coligação Trabalho da Esperança.
Contestar propostas e cobrar resultados faz parte de uma disputa eleitoral. Nesse caso, porém, o nariz de palhaço aparece no rosto de quem está em casa diante da televisão. É essa decisão que torna a abordagem ofensiva: a representação da eleitora é usada como instrumento de ataque político.
Para atacar Mailza, a campanha de Alan expõe uma personagem feminina ao ridículo e deixa em segundo plano o respeito devido ao público que pretende conquistar.



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