Wagner Lopes
A mulher que subestimaram
A soberba precede a ruína e a altivez, a queda
Alvo de críticas pessoais e questionamentos durante a pré-campanha, a governadora Mailza Assis chegou ao segundo turno na primeira colocação, mostrando que a percepção tóxica construída nas redes sociais por seus adversários nem sempre corresponde à decisão do eleitor, cansado daquelas campanhas sem propostas e recheadas de ódio e ataques baratos.
Mailza sofreu e foi humilhada
Durante todo o período da pré-campanha no Acre, Mailza, que foi senadora e governadora sem nunca ter vencido uma eleição, foi alvo de apelidos depreciativos por parte de apoiadores de Alan, que sempre foi reconhecido no mundo político como alguém de um ego extremamente inflamado. Recentemente, um político o classificou com alguém que é a própria personificação da soberba e prepotência em pessoa.
Nas redes sociais, apoiadores de Alan, que liderou antes e durante todo o período as intenções de votos com larga diferença de Maílza (pois foi abandonada por pessoas que estavam nomeadas no seu governo e que acreditavam piamente que ela perderia no primeiro turno para Rick de "lavada") utilizavam expressões como “sem voto” e “sem sal”, "não sabe nem falar direito" tentando reduzir sua imagem pública a essas frases pejorativas e de ódio. O episódio revela um problema recorrente na política acreana: a facilidade com que o debate sobre propostas é substituído pela desqualificação pessoal.
Uma mulher que ocupa o mais alto cargo do Executivo estadual não deve ser poupada de críticas, pois isso faz parte da democracia, mas merece ser avaliada pelos mesmos critérios aplicados a qualquer agente público: suas decisões, seus resultados, suas propostas e sua capacidade de responder aos desafios da população. Quando a crítica ultrapassa esses limites e se transforma em humilhação, deixa de contribuir para o debate democrático e passa a alimentar a hostilidade e consequentemente, o ódio.
O resultado do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, trouxe números que merecem atenção. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Mailza recebeu 218.760 votos, correspondentes a 49,76% dos votos válidos, enquanto Alan Rick obteve 141.859 votos, ou 32,27%. A diferença foi de 76.901 votos.
No caso de Mailza, o desempenho nas urnas mostrou que a apresentação de propostas, a humildade, uma boa equipe de articuladores e a mais importante, não se rebaixar a ataques (erros que Alan Rick cometeu e que podem lhe custar caro) foram ingredientes essenciais para o sucesso parcial no primeiro turno, marcado por questionamentos politicamente infundados e explorados à exaustão por Alan Rick, que insistiu sobre a documentação acadêmica da governadora, tema que chegou à Justiça Eleitoral. Seus ataques ao diploma de Mailza se esbarraram no cotidiano de milhares de eleitoras que se identificam com Mailza: mães atípicas, trabalhadoras, donas de casas, cuidadoras de filhos e ainda por cima, procuram algum resquício de tempo para estudar. Um erro de cálculo que despertou a fúria das eleitoras e da população em geral contra ele, causando enorme prejuízo eleitoral e a consequente alcunha de "perseguidor de diploma alheiro", "soberbo" etc.
Aliados abandonando o barco furado de Alan
Após verem o sucesso parcial e a diferença colossal de votos de Maílza sobre Alan, aliados políticos estão mudando de posição, isto é , abandonando Alan Rick e procurando apoiar Maílza no segundo turno. Um movimento que fragiliza demais Alan Rick e expõe uma deterioração de seu já pequeno e limitado arco de alianças. Nos bastidores, há quem diga que o entorno de Alan está desesperado, já jogaram o lenço e estão procurando canais para poder se aproximar de Maílza.
A principal lição desse primeiro turno talvez esteja na necessidade de abandonar a crença de que a imagem construída por uma pequena e barulhenta militância digital representa, necessariamente, a opinião de toda a sociedade, principalmente da periferia. Mailza chegou à segunda etapa da eleição com uma vantagem expressiva e recebeu o resultado com humildade e serenidade, jamais com arrogância e soberba.
Para a governadora, o segundo turno lhe dará mais oportunidade de mostrar suas propostas para a população e transformar a votação enorme que tirou em responsabilidade e demonstrar que, se ganhar, pode governar para todos. Para Alan, o resultado mostrou que suas estratégias estavam erradas.ç e totalmente equivocadas. No fim, a urna não elimina divergências nem resolve todos os conflitos, mas oferece um recado incontornável: nenhum candidato deve confundir a própria convicção com a consciência dos eleitores. E nenhuma mulher deve ter sua capacidade julgada por apelidos quando o que está em discussão é o futuro de um estado inteiro.
Wagner Lopes é formado em Administração pela UNINORTE, tem MBA em Marketing, Empreendedorismo e Finanças (FAVENI) Pós graduado em Administração Pública e Gestão de Pessoas pela FAVENI; é Pós graduando em Jornalismo também pela FAVENI e Marketing Digital pela FAMEESP.



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