Depois da Multidão: o que a Marcha para Jesus me ensinou sobre unidade, liderança e propósito
Quando a última canção terminou, as luzes começaram a se apagar e milhares de pessoas iniciaram o caminho de volta para casa, uma pergunta ocupou meus pensamentos: o que fica depois da multidão? Durante meses, nossa atenção esteve voltada para reuniões, planejamento, logística, comunicação, segurança, caravanas, voluntários e uma infinidade de detalhes que precisavam funcionar para que a Marcha para Jesus acontecesse. Mas o verdadeiro significado de um evento não se revela quando a multidão está presente. Ele se revela depois. É nos bastidores que as maiores lições aparecem.

Pastor Tadeu Braga, foi um dos organizadores da Marcha para Jesus /SECOM
A unidade é mais difícil e mais necessária do que parece.
Talvez a principal lição desta Marcha tenha sido compreender que a unidade não nasce da ausência de diferenças. Ela nasce da capacidade de caminhar juntos apesar delas. A Marcha reuniu igrejas de diferentes histórias, tradições, estilos de culto e formas de liderança. Pessoas que, em muitas circunstâncias, poderiam enfatizar suas diferenças decidiram colocar seus olhos em algo maior. Em um tempo marcado pela fragmentação, pela polarização e pela cultura das divisões, testemunhar milhares de cristãos caminhando juntos pelas ruas do Acre foi uma poderosa demonstração de maturidade espiritual. A unidade cristã não significa pensar igual em tudo. Significa reconhecer que aquilo que nos une em Cristo é maior do que aquilo que eventualmente nos separa.
Quando a fé se torna maior que a política

Foto: SECOM
Uma das reflexões mais importantes que levo desta experiência diz respeito à relação entre fé e política. Não é segredo para ninguém que o campo cristão acreano, assim como a própria sociedade brasileira, vive um momento de forte polarização política. Existem preferências legítimas, visões diferentes e projetos distintos. Isso faz parte da democracia. O problema surge quando questões temporárias passam a ocupar um espaço maior do que aquilo que é eterno.
A Marcha para Jesus também enfrentou esse desafio
Uma parcela muito pequena optou por não participar. Alguns manifestaram resistência. Outros acreditaram que o evento não alcançaria os resultados esperados. Houve quem observasse à distância, aguardando para ver o que aconteceria. Mas algo interessante ocorreu. À medida que as caravanas chegavam, que as ruas se enchiam e que milhares de pessoas se reuniam para celebrar sua fé, tornou-se evidente uma verdade simples: o Reino de Deus é maior do que qualquer projeto político. Naquele momento, não havia espaço para rótulos, correntes ou disputas. Havia apenas uma multidão unida por um propósito comum. Talvez uma das maiores vitórias da Marcha não tenha sido a quantidade de pessoas presentes. Talvez tenha sido a demonstração pública de que a Igreja continua sendo capaz de se unir quando decide colocar Cristo acima das circunstâncias. Governos passam, mandatos terminam e projetos políticos se transformam. Mas a missão da Igreja permanece!
Quando alguns torcem contra
Toda iniciativa relevante encontra resistência. Isso acontece na igreja, na gestão pública, nas empresas e em qualquer projeto que busque produzir impacto. Ao longo da preparação da Marcha, recebi inúmeras manifestações de apoio. Vi homens e mulheres dedicando tempo, recursos, energia e oração para que tudo acontecesse. Mas também ouvi dúvidas, críticas e previsões de fracasso. Com o passar do tempo, percebi que isso faz parte do processo. Toda obra significativa atrai dois grupos: aqueles que ajudam a construir e aqueles que aguardam para ver se dará errado. A maturidade da liderança está em compreender que não se pode gastar energia excessiva tentando responder a cada crítica ou rebater cada resistência. A melhor resposta continua sendo o trabalho bem-feito. Quando o propósito é legítimo, os resultados falam por si. E quando a missão é maior que o ego, não existe necessidade de transformar divergências em conflitos. Aprendi que quem possui uma missão não deve caminhar olhando para os lados para descobrir quem está torcendo contra. Deve caminhar olhando para frente, concentrado naquilo que Deus o chamou para realizar.
Toda liderança é um exercício de serviço
Existe uma percepção equivocada sobre liderança. Muitos imaginam que liderar significa estar no centro das atenções. No entanto, a realidade é exatamente o contrário. Os melhores líderes quase sempre estão ocupados resolvendo problemas que ninguém vê. Enquanto a multidão celebra, alguém está trabalhando. Durante o funcionamento do palco, alguém está cuidando dos detalhes. Ao mesmo tempo que os aplausos acontecem, alguém está garantindo que tudo continue de pé.

Foto: SECOM
Liderança não é privilégio. Liderança é responsabilidade. Quanto maior a missão, menor deve ser o ego.
Uma das maiores riquezas desta Marcha foi testemunhar pessoas servindo sem buscar reconhecimento. Pastores, voluntários, equipes técnicas, colaboradores e parceiros trabalharam silenciosamente para que o resultado fosse alcançado. O sucesso coletivo quase sempre é construído por pessoas que aceitam permanecer nos bastidores.
O palco mostra o resultado. Os bastidores revelam o caráter
Vivemos uma época em que as pessoas observam apenas o resultado final. Vemos a celebração, mas não as reuniões.Vemos a conquista, mas não os sacrifícios.Vemos a multidão, mas não as orações.Os bastidores possuem uma característica singular: eles revelam quem realmente somos. É ali que aparecem a humildade, a paciência, a perseverança e a disposição para servir sem reconhecimento imediato. Talvez por isso Deus valorize tanto aquilo que acontece longe dos holofotes. Porque é nos bastidores que o caráter é formado.
Depois da multidão

Foto: SECOM
Quando a Marcha terminou, a missão não terminou. As estruturas foram desmontadas, os equipamentos foram recolhidos e as ruas voltaram à rotina. Todavia as sementes permaneceram.
Permanecem nos corações alcançados, nos relacionamentos fortalecidos, na fé renovada de milhares de pessoas e permanecem também nas lições aprendidas por aqueles que tiveram o privilégio de servir.
Ao olhar para trás, não considero que o maior resultado da Marcha tenha sido o tamanho da multidão. O maior resultado foi perceber que Deus continua realizando coisas extraordinárias quando pessoas diferentes decidem caminhar juntas em torno de um propósito comum. Porque, no final das contas, a verdadeira grandeza de um evento não está na quantidade de pessoas que ele reúne.
Está na transformação que ele produz depois que a multidão vai embora.
Foi histórico!
Por Tadeu de Oliveira Braga




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