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Rio Branco,03/09/2026

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Alan Rick quer o símbolo do coração só para ele e entra na Justiça contra gesto de Mailza


Alan Rick quer o símbolo do coração só para ele e entra na Justiça contra gesto de Mailza

Redes sociais mostram que o candidato também fazia o sinal com eleitores desde a pré-campanha; incômodo surgiu depois que o coração de Mailza ganhou as ruas

Alan Rick (Republicanos) decidiu levar até o coração dos eleitores para a Justiça. O candidato e a coligação Trabalho da Esperança ingressaram com uma representação contra Mailza e Jéssica Sales por propaganda eleitoral antecipada e incluíram entre os principais argumentos o gesto de coração formado com as mãos. A ofensiva chama atenção por uma contradição evidente: publicações nas redes do próprio Alan mostram que ele também fazia o mesmo sinal com eleitores desde a pré-campanha.

O processo nº 0600663-53.2026.6.01.0000 foi protocolado no Tribunal Regional Eleitoral do Acre na noite desta quarta-feira (2). A coligação pede a condenação individual de Mailza e Jéssica ao pagamento de multa de R$ 25 mil para cada uma e quer impedir que conteúdos publicados antes do início oficial da campanha sejam novamente divulgados ou impulsionados.

Na petição, os advogados de Alan sustentam que o coração passou a funcionar como elemento de identificação eleitoral da chapa. O próprio documento, porém, reconhece que o gesto é comum, não constitui conduta ilícita isoladamente e não pode ser reivindicado com exclusividade por nenhuma candidatura.

É justamente nesse ponto que a ação ganha contornos de ciúme eleitoral. Alan também aparece fazendo o coração com as mãos em fotografias ao lado de apoiadores. Enquanto o gesto figurava nas redes do republicano, não havia problema. A insatisfação surgiu depois que o símbolo ganhou força com Mailza, foi adotado espontaneamente pela população e passou a aparecer em milhares de publicações de eleitores nas redes sociais.

Com Mailza, o coração deixou de ser uma simples pose para fotografias. Crianças, jovens, trabalhadores, mulheres, famílias e lideranças comunitárias passaram a reproduzir o sinal em caminhadas, bandeiraços e encontros realizados em diferentes municípios. A campanha pegou, ganhou identidade própria e criou uma conexão que não depende de ordem, roteiro ou decisão judicial.

Além do gesto, a ação questiona publicações anteriores a 16 de agosto que apresentavam Mailza e Jéssica, faziam referência ao número 11 e registravam manifestações públicas de apoio. A coligação tenta reunir esses elementos para sustentar que a identidade da campanha teria sido construída antecipadamente. Até o momento, porém, o documento disponível mostra apenas as alegações apresentadas por Alan e sua coligação, sem decisão sobre o pedido.


A ironia nos bastidores políticos é que a campanha do ‘Amor Acre Alan’ admite no próprio processo que ninguém pode ser dono do coração, mas tenta transformar em ilícito o uso bem-sucedido do gesto pela candidatura adversária. Como não conseguiu impedir que o símbolo se espalhasse pelas ruas, resolveu levá-lo ao tribunal.


A nova representação reforça a estratégia de judicialização adotada pela campanha de Alan Rick. Depois de acionar institutos de pesquisa, questionar manifestações de apoiadores e tentar escolher quais levantamentos podem ser divulgados, o candidato agora pretende discutir até a maneira como os eleitores demonstram carinho por Mailza.


Alan pode fazer o gesto, publicar fotografias e formar corações com quem quiser. O que ele não pode é exigir que o coração do eleitor seja só dele. Em política, afeto não se conquista com petição, e muito menos se toma da adversária no tapetão.




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