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Rio Branco,29/10/2026

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Tríplice fronteira: a vocação agrícola, comercial, cultural e logística do Acre


Tríplice fronteira: a vocação agrícola, comercial, cultural e logística do Acre

POR ANDRÉ ARIOSTO - O Acre é o único estado do Brasil que faz fronteira com Bolívia e Peru ao mesmo tempo, no marco de Assis Brasil - Iñapari - Bolpebra. O comércio já existe. O que falta é transformá-lo em indústria, cultura e emprego formal.

O Acre já tem seu instrumento: as Áreas de Livre Comércio da SUFRAMA.

- Brasiléia e Epitaciolândia:_ frente a Cobija, onde hoje passa 44% das exportações acreanas.

- Cruzeiro do Sul:_ pólo comercial e industrial do Vale do Juruá.

- Assis Brasil:_ a próxima conquista, com o PL 4.232/2025 que estende a ALC para o marco zero do Brasil.

As 6 possibilidades imediatas:

1. Comércio Trinacional:_ Importar com isenção, beneficiar no Acre e vender para os Andes.

2. Indústria da Floresta:_ Castanha, borracha, açaí e óleos com valor agregado e incentivo de IPI.

3. Logística Rodoviária para o Pacífico:_ Estrada do Pacífico (BR-317 / Interoceânica) e futura ZPE entre Rio Branco e Senador Guiomard como porto seco para acessar os portos peruanos.

4. Emprego na Fronteira:_ Serviços e comércio que fixam o jovem e geram renda onde o Acre mais precisa.

5. Turismo e Riqueza Cultural:_ Aqui não são três países, são três mundos. É a cultura acreana do seringal, a cultura andina que desce de Cusco e a cultura amazônica de Pando. É o espanhol, o português e o quéchua na mesma feira. É gastronomia, artesanato indígena, festas de fronteira e a história da Revolução Acreana viva em Xapuri, Brasiléia e Assis Brasil. Transformar essa riqueza em roteiro turístico trinacional é gerar emprego imediato: guia, hotel, restaurante, transporte e cultura viva.

6. Ferrovia Bioceânica Brasil-China - O projeto que muda tudo:_ O maior projeto de integração do continente já está em estudo. Em 7 de julho de 2025, a estatal brasileira Infra S.A. e o Instituto de Planejamento Econômico da China Railway assinaram o memorando para os estudos da Ferrovia Bioceânica. O traçado aproveita a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) que sai do Porto de Ilhéus na Bahia e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) até Lucas do Rio Verde no Mato Grosso, e daí avança por Rondônia e Acre até cruzar para o Peru por Assis Brasil/Iñapari, passando por Pucallpa, cruzando os Andes até o megaporto de Chancay no Pacífico, construído com investimento chinês.

É um corredor de quase 6 mil km ligando o Atlântico ao Pacífico. Para o Acre, é sair do fim da linha e virar o centro da rota: a carga do Centro-Oeste brasileiro que hoje desce 3 mil km para Santos, passaria aqui do lado para sair em 27 dias de navegação até Xangai. Isso significa ferrovia, ramais, oficinas, armazéns, alfândega e milhares de empregos qualificados no Acre. A estrada trouxe o caminhão, a ferrovia traz a indústria.

Zona Franca no Acre não é privilégio. É necessidade de geração de emprego, renda, cultura e crescimento econômico para o Estado.




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